Faleceu a Professora Glória De Lourdes Izaguirre Chagas

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Com pesar, a APUSM participa o falecimento de sua associada, a professora Glória de Lourdes Izaguirre Chagas (1926-2020). Aposentada desde 1990, ela faleceu no dia 29 de julho, aos 94 anos.

Nascida em Santa Maria, realizou seus estudos secundários no Colégio Manoel Ribas. Fez graduação em Música (Bacharelado em piano) na UFRGS e em 1976 foi fazer mestrado nos Estados Unidos, onde também estudou clarineta.

Atuou como professora de música e teatro no Colégio Olavo Bilac e foi fundadora do Curso de Música na Faculdade de Belas Artes na antiga USM, hoje UFSM. A professora foi uma das fundadoras do Curso de Música da Universidade, onde lecionou por quase 30 anos. Uma de suas realizações marcantes foi a criação do bacharelado em Clarineta.

No Centro de Artes, foi professora de piano, e mais tarde de clarinete, ministrando diferentes disciplinas do curso de Licenciatura em Música ao longo da sua trajetória.

No Colégio Olavo Bilac, organizou e dirigiu conjuntos de música e teatro formados por alunas do curso Normal. Entre esses, o conjunto instrumental JAZZ, predominantemente feminino, com formação de câmara. Organizou também grupos de poesias e representação de obras teatrais, que foram apresentadas em público em diferentes locais da cidade, da região e, inclusive, em Montevidéu.

Sobre o Conjunto JAZZ, a Professora Emília Giffoni lembra que participou como baterista (1962-1964. Os arranjos e adaptações eram propostos pela professora Glória, de acordo com os instrumentos disponíveis. Apresentavam-se nas reuniões dançantes de sábado no salão de festas e atos do colégio. “Os tempos eram outros, essas reuniões iniciavam às 16hs e terminavam às 20hs, sob protesto dos pais (principalmente dos meus)”, confessa a professora Emília.

A professora Alzira Severo lembra que participou desses recitais de obras do poeta Olavo Bilac, e que se apresentou no quartel no dia do aniversário da Batalha do Riachuelo. Ela lembra de alguns trechos de um dos poemas: “Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o censo….”. A mesma professora também participou de peças teatrais realizando apresentações em Montevidéu (a convite do cônsul desses pais), na Assembleia Legislativa em Porto Alegre, na antiga FIC e em vários colégios de Santa Maria.

A professora Beatriz Lemos lembra que, quando criança, em 1959, assistiu a peças preparadas e dirigidas pela professora Glória de Lourdes, e lembra especialmente de “A Branca de Neve e a Bruxa”.

Na década de 1960, Glória de Lourdes participou da organização de recitais e concertos que eram realizados no Centro Cultural de Santa Maria, a partir das iniciativas da Associação Rio-grandense de Música, da qual, nesse período, ela foi uma das vice-presidentes.

A partir de 1963, na UFSM, Faculdade de Belas Artes (posteriormente Depto de Música do Centro de Artes e Letras da UFSM), ela foi professora fundadora do Curso de Música nas opções de Bacharelado em Piano (1963) e Licenciatura em Música (1964), junto com Geraldo Maissiat (primeiro diretor da Faculdade de Belas Artes), Débora Kacs e Magale Dorffmann na chamada Faculdade de Belas Artes.

Lecionou diferentes disciplinas para os cursos de Bacharelado e Licenciatura em Música, entre elas Piano e posteriormente Clarinete (Bacharelado) e História da Música e das Artes (Bacharelado e Licenciatura); e no curso de Licenciatura: Prática de Ensino da Música (supervisionando o Estágio de cada aluno na respectiva turma-escola); Didática Especial (que posteriormente passou a ser Metodologia do Ensino da Música no Centro de Educação/UFSM).

Foi pioneira na oferta de disciplinas extracurriculares, que eram novidade no curso nessa época: Psicologia da Música e Piano em Grupo. Participante ativa na organização de currículos dessas e das próximas opções curriculares oferecidas nos primeiros 25 anos de história do curso na Faculdade de Belas Artes que, posteriormente, na década de 1970, deu origem ao Departamento de Música no Centro de Artes e Letras (CAL) da UFSM.

Na década de 1980, incentivou a criação do Curso de Bacharelado em Instrumento – Clarinete, sendo a primeira professora deste instrumento, orientando e acompanhando a formação de vários alunos nesta opção.

Como pianista, e mais tarde como clarinetista, participou ativamente em recitais realizados no Campus, na cidade e na região. Nos recitais organizados pela Faculdade de Belas Artes e depois pelo Depto e Coordenação dos Cursos de Música-CAL e nos recitais como clarinetista, foi acompanhada pelas pianistas professoras Ellen Rolim, Emilia Giffoni, colegas na novel faculdade e departamento, respectivamente.

Junto com o professor Frederico Richter, Glória participou do projeto da “Orquestra Possível”, que posteriormente deu lugar a atual Orquestra Sinfônica da UFSM. Tanto em recitais de câmara como da orquestra, para contextualizar as características do repertório, a professora Glória realizou muitos comentários das obras e dos compositores a serem interpretadas e como forma de aproximar as obras ao público presente. Em 1990, a professora pede aposentadoria, depois de quase 30 anos dedicados à docência e interpretação da Música na UFSM.

 

IMPRESSÕES DE COLEGAS e ALUNAS:

Emilia Giffoni foi aluna da professora Glória no Curso Normal do Colégio Olavo Bilac e posteriormente na Faculdade de Belas Artes, e manifesta: “Glorinha, desde o Magistério, foi para mim, além de mestra, uma conselheira, orientadora, amiga e mãe”.

Alzira Guaraldi Severo, sobre esta atividade lírico-teatral no Instituo de Educação Olavo Bilac, concorda que a Professora Glória “amava este grupo de poesias, tipo jogral e na época Dona Luzia Benda se encantou e falou muito bem das vozes do jogral”

Lise Pereira Bulcão, em sua página no Facebook, escreveu: “Minha querida professora de História da Arte e de vida descansou. Glória de Lourdes Izaguirre Chagas, seus ensinamentos ficarão para sempre na minha lembrança. Todos seus alunos que tiveram, como eu o privilégio de absorver o conhecimento, a grandeza, o profissionalismo e o amor com que sempre compartilhou seus conhecimentos, nunca a esquecerão. Seu otimismo, sua disponibilidade em ajudar os outros, sua facilidade em minimizar e resolver os problemas são lições que nunca vou esquecer. Amiga da minha mãe, minha professora, minha amiga. Vai em paz, Glorinha, vais nos fazer muita falta”

Rose Braunstein: “Em 1968, com a saída do professor de Folclore três meses antes da formatura da primeira turma do curso de Licenciatura em Música, a professora Glória acamada com problema pulmonar,  assumiu essa disciplina para que eu, a Lise, Emilia e os outros alunos da turma pudéssemos nos formar. Junto com a Professora Ellem Rolim, Glória organizava reuniões na sua casa, tipo saraus, onde organizava chás com as amigas e convidava palestrantes para dissertar sobre diferentes temas. E a nós correspondia a realização de recitais ao piano com a Glória explicando cada obra”.

Vera Soares escreveu: “Glorinha, querida! Estarás para sempre na nossa memória! Sempre com as palavras certas nas horas incertas!”.

Zobeida Folgiarini Prestes também se manifestou: “Glória ficará em meu coração como uma mão amiga e protetora que sempre esteve disposta a regar, fazer germinar e florescer todas as sementes que passaram por suas mãos. Professora, conselheira, colega, amiga, companheira. Meu profundo agradecimento”.

Neiva Mugica Mutti disse: “Ficaram ótimas e saudosas lembranças da Glorinha. Ministrava suas aulas com amor, dedicação e competência. Não media esforços para ajudar a todos que à ela recorriam. Serei sempre grata pela sua incansável orientação na minha dissertação de Mestrado. Nossa Mestra, colega, mãe, alegre, amiga, gostava de realizar encontros festivos em sua casa”.

Shirley Kantorsky: “A Glorinha foi minha professora na Educação Artística. Sempre muito preocupada em transmitir seus ensinamentos para que pudéssemos passar aos nossos alunos. Como o teu lindo nome já diz, estás na Glória de Deus, pela tua dedicação a todas nós. Além de grande Mestra foi uma amiga querida e admirada”.

Maria Beatriz Lemos: “Recordo a dedicação da professora nas aulas de História da Música, em que relacionava Arquitetura, Artes Visuais e Música à Filosofia dos diferentes períodos históricos. Para isso, levava seu próprio material fonográfico e visual e nos fornecia com uma apostila mimeografada. Sintetizando, minha experiência com a Glória pode afirmar, era intensa, apaixonada. Nem sempre concordávamos, mas com certeza sou uma pessoa melhor pelas vivências como sua aluna e colega”.

Maestro Ênio Guerra: “Professora Glória, perfeita educadora musical, mestra nas relações professor-aluno, com extrema sapiência e fidelidade ao ato de ensinar e a seus colegas”.

(Texto elaborado com informações reunidas pela professora Zobeida Folgiarini Prestes).

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