Por uma “Escola sem Partido” por Eduardo Ayala

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In memoriam: para a Dra. Tania Aita Zevallos, uma liberal coerente.

Vivenciando a docência na área de educação assisti por décadas a uma imensurável avalancha de publicações acadêmicas de laivo ideológico insurrecional. Tais obras, ao invés de formularem propostas condizentes com o desenvolvimento da educação brasileira e, principalmente, com as reais necessidades do educando nos tempos atuais, limitavam-se a veicular, de forma monotemática e recorrente, um discurso prescritivo pseudo-igualitarista. Era, realmente, um hino unânime à dicotomia revolucionário x reacionário.

Ao longo de todo esse tempo, o desempenho de professores e alunos de todos os níveis continuaram a frustrar todas as expectativas. Mas, por que os mestres não transmitiam noções e habilidades intrínsecas ao currículo escolar concordante com o saber universal? Simples: abriam mão do expediente educativo e lançavam-se à vã tarefa de doutrinar seus discípulos com base na fábula socialista, historicamente regressista e, hoje, impraticável.

Os cursos de graduação e os programas de pós-graduação em educação, nas universidades públicas deste país, sucumbiram também a essa prática ativista. Ser um bom professor universitário implicava em “namorar” com Marx e seus caudatários mais próximos e, sobretudo, abominar quaisquer tentativas de contrariar a exortação moral petista. As pesquisas científicas de professores e alunos deviam estar pautadas, conforme os “apóstolos”, pelo ideário contra-hegemônico gramsciano, libertador, histórico-crítico ou algo assemelhado. Julgavam-se militantes inflexíveis!

Nos dias que correm, faço parte do contingente esmagador que acredita que o Partido dos trabalhadores nunca representou a ética na política nacional. Os fatos estão aí: a facção comandada por Lula em momento nenhum foi imune aos casos de corrupção. Ainda, o poder discricionário e cleptocrático do petismo — e adjacências criminosas — atingiu o ápice quando da sua viralização em todos os quadrantes da administração pública do Brasil. E por isso mesmo, vive-se hoje, infelizmente, num âmbito social de completa inobservância dos princípios fundamentais de um estado de direito.

Pelo exposto acima, não me surpreende em absoluto que, nesta etapa da história da educação brasileira, aflore alvissareira a ideia de “Escola sem Partido”, ou melhor, de escola sem doutrina eivada de presságio socialista. E me apressuro em admitir que não existe opinião neutra, visto que o juízo valorativo é inerente a todo ser humano. Porém, o que fazer quando a catequese petista se torna visivelmente obrigatória nas escolas de todos os níveis do país? Por acaso o ensino não está vergado ante um partido populista comprovadamente conspurcado pelo ilícito? E é por isso que o conteúdo do currículo escolar não pode mais ser relegado ao segundo plano, em prol de uma convicção política que se pretende arquetípica e, ainda por cima, a única imprescindível. Como educador, consta-me que o aluno obcecado por uma ideologia é, por natureza, dogmático, um apedeuta alienado e isento de capacidade reflexiva e criticidade…. Dá o que pensar, não dá?

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