Mais prática, menos gramática por Carlos Costabeber

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(Foto: Reachr)

Ao escrever O gap tecnológico me assusta, concluí que precisávamos “subir a régua” do ensino. E vou além! É preciso oferecer aos alunos de todos os níveis maior interação com a prática, com a realidade. A teoria, precisa ser associada ao conhecimento prático.

 

Cursos Profissionalizantes

Acredito que no Ensino Médio em Santa Maria tenhamos uma proporção de 30 para 1, na relação entre vagas convencionais x profissionalizantes. A distância é assustadora! Por isso, CTISM e Politécnico da UFSM, por exemplo, são tão disputados. São referência, pois conseguem selecionar sempre os candidatos mais brilhantes. Como resultado, as empresas tentam contratar essa gurizada antes mesmo de se formarem. Por isso, a preocupação com o distanciamento entre o que ensinamos e as exigências do mercado de trabalho.

 

Experiência de campo é aliada

Quando fui contratado pela UFSM, tive de optar entre a dedicação exclusiva, 40 ou 20 horas semanais. Como já trabalhava na empresa, assinei por 20 horas, para duas cadeiras no curso de Administração. Foi um casamento perfeito, pois conseguia levar toda a minha experiência nos negócios para a sala de aula. A gurizada adorava, pois permitia a melhor assimilação dos conceitos ministrados. E eu também saía ganhando, pois a base acadêmica sempre foi meu diferencial profissional. A última cadeira (especial) que ministrei foi prática de negócios, todos os sábados pela manhã. Foi um sucesso.

 

Dedicação Exclusiva

A maioria absoluta dos profissionais que ingressam no magistério público federal opta por contrato de dedicação exclusiva. Tudo bem, desde que não se perca o contato com a realidade e com as necessidades da sociedade. A legislação até incentiva que o professor tenha experiência prática, principalmente na transferência de conhecimento para o desenvolvimento local e regional (vide exemplos de EUA, China e Europa). O que não se pode é “ensinar em uma caixa”, vivendo em um mundo globalizado. O professor tem de aproveitar e sair em busca de oportunidades para projetos de transferência de conhecimento. Até porque grande parte dos recursos virá da real contribuição da pesquisa para a sociedade que a financia. Felizmente conheço alguns mestres que fazem um trabalho maravilhoso nesse sentido. Ganham os estudantes, ganha a instituição de ensino e ganha o Brasil. Mas atenção: não esperem pelas empresas, pois são, em regra, acomodadas. Estou convencido que o professor deve ser um “professor empreendedor”. É isso que pedem a sociedade e os estudantes. Repito: precisamos subir a régua do ensino, pois as parcerias são a realidade mundial.

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