Saúde – Os quatro sintomas do coração, artigo do cardiologista santa-mariense Marcos Cavalheiro

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Foto reprodução
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 Marcos Cavalheiro*

As doenças cardiovasculares podem apresentar-se de várias formas diferentes e com manifestações sintomáticas diversas. Esta publicação tem o objetivo de abordar superficialmente os 4 sintomas mais comuns que indicam que o indivíduo deve realizar uma avaliação cardiológica. Futuramente iremos abordar cada um destes sintomas separadamente. São eles:

 

Angina (dor no peito):

A dor cardíaca é chamada de “angina pectoris”, ou angina de peito. Esta dor costuma assemelhar-se com uma pressão, peso, aperto ou queimação na região central do tórax. A dor também pode acometer os ombros ou irradiar-se pela região interna dos braços, pescoço, costas, mandíbula ou região superior do abdome. Algumas pessoas descrevem a sensação mais como um desconforto ou uma pressão do que uma dor propriamente dita.

A maioria dos casos de angina de peito são decorrentes da obstrução das artérias coronárias (artérias que irrigam a musculatura cardíaca) por placas ateroscleróticas.

Nos casos iniciais ela pode aparecer durante os esforços físicos e tornar-se cada vez mais frequente e intensa com o passar do tempo, podendo ocorrer em repouso nos casos mais graves. Mas esta ordem de aparecimento, em casos mais graves, pode não ocorrer, sendo que o primeiro episódio de dor, eventualmente, pode ser em repouso (mais comumente nos casos de infarto ou de angina instável).

 

Dispnéia (falta de ar):

É um sintoma muito comum na prática médica, sendo especialmente referido por indivíduos com doenças dos aparelhos cardiovascular e respiratório (mas pode ocorrer em indivíduos saudáveis). Esse sintoma é o principal fator limitante da qualidade de vida relacionada à saúde de pacientes crônicos.

Muitas patologias cardíacas podem resultar em dispneia, as mais frequentes são: doença das válvulas cardíacas, doenças do músculo cardíaco (miocardiopatias), cardiopatia isquêmica e arritmias, todas estas levando à insuficiência cardíaca.

Os casos iniciais de dispneia de origem cardíaca podem aparecer durante os esforços físicos tornando-se cada vez mais frequente e intensa com o passar do tempo, podendo ocorrer em repouso nos casos mais graves (de forma semelhante à angina). Com a progressão da doença de base, a dispneia poderá acordar o paciente em decúbito horizontal durante a noite (dispneia paroxística noturna), ou impedir que o paciente durma deitado (ortopnéia).

Outras situações clínicas devem ser levadas em consideração no diagnóstico diferencial de dispneia de origem cardíaca como: anemia, gravidez, ansiedade, falta de condicionamento físico, hipotireoidismo e várias outras.

 

Síncope (desmaio) e Lipotímia (quase desmaio):

A síncope pode ser definida como uma perda transitória da consciência. A lipotímia é a sensação de desmaio, sem que esse efetivamente ocorra. A perda da consciência é resultado do baixo fluxo sanguíneo cerebral, que pode ter causas de origem cardíaca (10 a 40% dos casos) ou não cardíacas (cerca de 50% dos casos de síncope investigados não apresentam causa definida).

A síncope de origem cardíaca costuma ser súbita, sem associação com sintomas premonitórios. A estenose da válvula aórtica (estreitamento da válvula), é uma causa comum de síncope, costuma estar associada ao esforço, acometendo pacientes mais idosos e com a presença de um sopro cardíaco no exame clínico.

Na síncope relacionada às arritmias com baixa frequência cardíaca (síndrome de Stoke-Adams) a recuperação é rápida, podendo ocorrer vários episódios por dia.

Pacientes jovens, com síncope de repetição, especialmente aqueles com história familiar de morte súbita em parentes também jovens (com menos de 30 anos de idade), merecem uma investigação minuciosa na busca de síndromes arritmogênicas “malignas”.

Pacientes com episódios de síncope, principalmente de repetição, merecem uma avaliação cardiológica minuciosa.

 

Palpitações (Arritmias):

As palpitações são as manifestações sintomáticas mais comuns das arritmias. Elas podem ser percebidas de várias formas pelos pacientes. Mais comumente como uma falha nos batimentos, de forma rápida e sem outros sintomas associados, mas também de forma duradoura e muito acelerada por outros pacientes. As palpitações nem sempre estão relacionadas à alguma arritmia grave, porém, é importante que uma avaliação cardiológica seja realizada.

Alguns pontos relevantes devem ser observados pelos pacientes e podem ajudar muito o médico cardiologista durante a avaliação das arritmias como: duração dos episódios de palpitações (segundos, minutos, horas); frequência que ocorre (diariamente, semanalmente, mensalmente, raras vezes) e, principalmente, a presença de sintomas associados (tonturas, desmaios, dor no peito e falta de ar).

 

*Marcos Cavalheiro

19C marcos_cavalheiroMarcos Borges Fortes Cavalheiro é graduado em medicina pela Universidade Católica de Pelotas ( UCPEL) no ano 2000, pós-graduado em Clínica Médica pelo Programa de Residência Médica do Hospital São Francisco de Paula – UCPEL, pós-graduado em Cardiologia pelo Programa de Residência médica em Cardiologia do Hospital São Francisco – Santa Casa de Porto Alegre. Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia/Associação Médica Brasileira desde 2005. Atualmente atua como Médico Cardiologista Clínico na cidade de Santa Maria, na Clínica Santé Diagnóstico e Tratamento.

Artigo publicado originalmente em www.portalbei.com.br

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