Erros e acertos, uma crônica da jornalista Celina Fleig Mayer

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Celina Fleig Mayer*

 

Geralmente, quando uma pessoa é entrevistada, e a pergunta é sobre seus arrependimentos do passado, escolhas equivocada, ela diz que não tem arrependimentos. Que tudo o que fez valeu como lição de vida. Mas, nem sempre é assim, tão simples.

Pois, há poucos dias, li numa revista uma resposta bem mais sincera para esta pergunta. A pessoa questionada era uma mulher. E, para o que lhe foi solicitado, respondeu que, sim, se arrependia de várias coisas que fizera ou deixara de fazer ao longo de sua vida.

Para mim, ela pareceu bastante lúcida. Porque, de certa forma, todos trilhamos caminhos escolhidos por nós mesmos, por mais que os outros tentem interferir, mas nem sempre estes são os mais acertados, os que nos levam para onde seria possível ser mais feliz.

Existem mulheres que, com certa indecisão, deixaram um grande amor, com aparente menos charme, por um amor grande e muito excitante.  No primeiro caso, com o correr do tempo, descobriram que perderam a oportunidade de se realizarem ao lado de um ser humano de princípios sólidos, um amigo verdadeiro, um amor presente. No segundo caso, o escolhido, o que ganhou a “batalha”, revelou-se um cara que foi perdendo o charme pelas “gafes” cometidas, pelas traições repetidas, e pela excitação de rumo incerto: a parada dele eram todas as mulheres….E ninguém se espante se esta tenha sido uma relação que precisou terminar, porque desgastante e infeliz. Serviu de lição para quê? Uma vida a dois desperdiçada, um investimento sentimental que comprometeu, talvez, toda uma existência.

Vamos fazer de conta que não há arrependimentos na área amorosa. Mas na escolha da profissão, por que é que tanta gente, homem ou mulher, não “desenvolve”? Tem preparo, curso superior e, no momento de uma oportunidade imperdível, vacilou, não quis deixar sua terra natal, seus parentes e foi ficando. Os que partiram, com alguma dor, com dificuldade de adaptação lá adiante, hoje estão bem postados, tanto financeira como socialmente. Fizeram nome, carreira, porque quiseram progredir. E, ninguém dá um passo à frente, sem deixar os pequenos caminhos ao lado. É preciso ter vontade, coragem e espírito de decisão.

Outro dia uma mulher me contou que até foi bom ter-se casado com fulano, um sujeito ótimo, mas um fracasso como profissional, um legítimo perdedor. Em troca, ela deixou um cara que se formou, fez carreira. O consolo dela? Com o marido se viu obrigada a ir a luta, “desenvolver seu potencial”. Mas será que precisava ter um homem fracassado ao lado para fazer aflorar sua capacidade profissional? Melhor, e mais estimulante, é o par vencer junto, cada um no seu ramo. Não seria preciso passar por tantas dificuldades  para vencer, como foi o caso dela. Escutei essa história, pois as personagens são reais, e fiquei tão incrédula que não me ocorreu nenhum comentário, na hora.

Temos que ser humildes lá pelas tantas da nossa vida, reconhecendo que perdemos por ignorância, que duplicamos a batalha porque não soubemos decidir pela  melhor estratégia na luta pela sobrevivência profissional e social. E, ainda, que, se existe um destino melhor ou pior, é porque, consciente ou inconscientemente, construímos nossas vitórias e derrotas, através de escolhas, boas ou más.

*jornalista

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