Literatura – “As Fantasias Eletivas”, de Carlos Henrique Schroeder, sob o olhar do professor Aguinaldo Severino

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Num romance de Goethe as afinidades eram eletivas,. Para Schroeder são as fantasias, e também os sonhos, frustrações e ilusões o que miseravelmente escolhemos e eventualmente compartilhamos. Foto Reprodução
Num romance de Goethe as afinidades eram eletivas,. Para Schroeder são as fantasias, e também os sonhos, frustrações e ilusões o que miseravelmente escolhemos e eventualmente compartilhamos. Foto Reprodução

 

Professor Aguinaldo Severino

Só fiquei conhecendo algo da existência desse livro quando soube que uma tradução dele saíra em espanhol recentemente. Schroeder conta uma história inventiva, que trata de como pessoas se encontram e se desencontram, de como as motivações e escolhas de cada um de nós interferem, mesmo que quase com insignificância, nas motivações e escolhas de todos os demais que nos cercam, todos os demais com quem interagimos.

Num romance de Goethe as afinidades eram eletivas, ou melhor resumindo, as afinidades entre pessoas se davam como as afinidades químicas e físicas entre os elementos. Para Schroeder são as fantasias, e também os sonhos, frustrações e ilusões o que miseravelmente escolhemos e eventualmente compartilhamos.

A história que se conta é a de Renê, solitário recepcionista noturno de um hotel de Balneário Camboriú (cidade do litoral catarinense quase sempre povoada por turistas argentinos) e de Copi, travesti argentino que tenta fazer michê com os clientes do hotel onde Renê trabalha.

Destino e história são detalhes. Acompanhamos os estados psicológicos e os dramas dos dois personagens com a curiosidade de quem ainda não se embruteceu completamente.

O livro inclui reproduções das fotografias que Copi fez e legou a Renê. A cada fotograma corresponde um pequeno texto que antes de falar do que está fixado pela luz conta a solidão, tristeza e dor de quem escreve.

O narrador da história inclui também o que seriam as poesias completas de Copi, sete versos bisonhos, que apenas os olhos de alguém apaixonado como Renê poderia valorizar.

O livro é pequeno, muito interessante e poético. Notavelmente bem escrito. Vale.

“As fantasias eletivas”, Carlos Henrique Schroeder, Rio de Janeiro: editora Record, 5a. edição (2016, 111 págs [edição original: 2014].

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