Falecem dois fundadores da APUSM

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Além de professores de Filosofia, os palotinos João Baptista Quaini e José Joaquim Pilon frequentaram conceituadas universidades europeias, lecionaram na UFSM e também são fundadores da APUSM. (Foto Gaspar Miotto-APUSM)
Além de professores de Filosofia, os palotinos João Baptista Quaini e José Joaquim Pilon frequentaram conceituadas universidades europeias, lecionaram na UFSM e também são fundadores da APUSM. (Foto arquivo pessoal Gaspar Miotto-APUSM)

Professor Gaspar Miotto

Foi há 50 anos, em meados do ano de 1967, que um grupo de professores da UFSM começou a reunir-se com a finalidade de criar uma associação para congregar a categoria dos docentes universitários. Depois de várias reuniões, o grupo estabeleceu os parâmetros e em novembro de 1967 a APUSM – Associação dos Professores Universitários de Santa Maria, foi criada e hoje é uma das principais entidades do seu segmento no Brasil.

E neste grupo estavam os professores de Filosofia João Baptista Quaini e José Joaquim  Pilon. Religiosos palotinos, que por terem frequentado importantes universidades europeias, lecionavam na UFSM.

No dia 16 de maio, depois de um período de 28 dias na UTI do Hospital de Caridade de Santa Maria, João Quaini veio a falecer, aos 86 anos. Poucos dias depois, no dia 21 de maio, em Campo Grande/MS, faleceu seu colega de Filosofia e de sacerdócio, José Joaquim Pilon, quando faltavam apenas alguns dias para completar 89 anos.

João Baptista Quaini (foto arquivo Gaspar Miotto - APUSM)
João Baptista Quaini (foto arquivo Gaspar Miotto – APUSM)

O padre João Baptista Quaini veio de uma família de agricultores e de profunda vivência cristã. Nasceu em Pejuçara, no noroeste do Estado. Ainda menino, ingressou no Seminário Rainha dos Apóstolos, em Vale Vêneto, distrito de São João do Polêsine, para fazer os estudos secundários. Em 1951 fez o noviciado na cidade de Augusto Pestana e no ano seguinte mudou-se para Roma, onde cursou Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Em 1954, viajou para Friburgo, na Suíça, onde estudou Teologia e concluiu o doutorado em Filosofia. Durante 18 anos, o padre trabalhou no Instituto Diocesano de Pastoral Catequética (IDPC). Tornou-se reitor provincial, mais alto cargo da Província Nossa Senhora Conquistadora, de Santa Maria, e reitor da Casa Geral e vice geral da Sociedade do Apostolado Católico (SAC), em Roma, na Itália. Também foi pároco em Vale Vêneto e diretor espiritual dos Seminaristas Maiores Diocesanos de Santa Maria, Uruguaiana e Cachoeira do Sul.

Por muitos anos, foi capelão dos Irmãos Maristas, das Irmãs Carmelitas e das Irmãs de Maria de Shoenstatt. Escreveu livros e artigos, especialmente sobre a vida e obra de São Vicente Pallotti e sobre a história dos padres palotinos no Brasil.

Segundo seus colegas, padre Quaini sempre acreditou no dom da vida e lutou a favor dela. Enfrentou um acidente vascular cerebral (AVC), tromboses e embolia pulmonar e extraiu um tumor do cérebro. Agora, quando tentava uma terceira cirurgia, não resistiu. Foi sepultado no dia 17 de maio, no Cemitério dos Padres e Irmãos Palotinos, em Vale Vêneto.

 José Joaquim Pilon (foto arquivo Gaspar Miotto - APUSM)
José Joaquim Pilon (foto arquivo Gaspar Miotto – APUSM)

O padre José Joaquim  Pilon nasceu no dia 12 de junho de 1928, em Arroio Grande, Santa Maria. Filho de Antônio Pilon e Maria Marconatto, é o primeiro de uma família de 12 irmãos. Seus pais eram agricultores.

Em 1942 foi para o Seminário em Vale Vêneto, onde fez os estudos primários e ginasiais. De 1950 a 1957 cursou Filosofia e Teologia no antigo Seminário Palotino de São João do Polêsine. Foi ordenado padre em 1956. Em 1958 fez pós graduação na área da Filosofia, na Pontifícia Universidade Católica – PUC-RS. Depois, em 1964 e 1965, estudou Pastoral Catequética no Instituto Católico, em Paris.

Sua vida dividiu-se entre atividades religiosas e o magistério. De 1958 a 1963 foi professor de História da Filosofia no Colégio Máximo Palotino em Santa Maria, período em que foi também reitor deste colégio. Em 1966 fundou o Instituto Diocesano de Pastoral Catequética (IDPC), onde foi seu diretor e professor até 1974. De 1966 a 1969 foi professor na Faculdade Imaculada Conceição (FIC) e na UFSM. De 1969 a 1974 foi Reitor Provincial da Província Nossa Senhora Conquistadora dos padre palotinos. Foi também pároco na igreja Santa Catarina, no Itararé, e na Paróquia Santo Antônio do Patronato, em Santa Maria.

Em 1983 mudou-se para Rondônia, onde em Porto Velho foi pároco e professor de Filosofia no Seminário Arquidiocesano. E em Ariquemes participou da construção de um Centro de Formação.

A partir de 2010 começou a afastar-se das atividades pastorais e se dedicou à oração, leitura e aos trabalhos no sítio. Escreveu vários livros sobre a Amazônia, a Vida Pessoal e a Esperança. Em 2014 enviou carta ao provincial, seu superior, comentando sua saúde frágil e que estava se dedicando à oração, leitura e escrita. Em 2016 esteve em Santa Maria para lançar seu último livro, A Esperança. Numa de suas caminhadas pela montanhas e florestas da região, sentiu fortes dores que o impediram de caminhar. Depois de um período de recuperação no Patronato, foi morar em Campo Grande/MS. No início deste ano começou a ter complicações cardíacas e infecção pulmonar. Após vários dias de internação, veio a falecer no dia 21, no Hospital do Coração, em Campo Grande/MS. O seu sepultamento ocorreu no Jazigo da Família Palotina, no Cemitério Municipal de Fátima do Sul/MS.

Em novembro deste ano a APUSM completa 50 anos de existência. Na oportunidade, deverá ser prestada homenagem ao grupo de professores fundadores da entidade. João Quaini e José Pilon receberão, então, juntamente com os demais, a justa homenagem por terem participado da fundação da nossa Associação.

 

 

 

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