“A solidariedade santa-mariense”, por Eduardo Rolim

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Foto reprodução internet
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Eduardo Rolim – Médico*

Contribuo, há anos, com diversas instituições benemerentes de nossa cidade. Asilos, orfanatos, creches e instituições de apoio às pessoas com câncer. Creio ser um dever de solidariedade para quem vive em sociedade.

Tenho visitado diversas instituições que recebem meu auxílio mensal. Fiquei surpreso com o espírito solidário dos santa-marienses. São milhares de pessoas anônimas que dispõem uma parcela de seus ganhos em proveito dos mais necessitados.

Geralmente essa solidariedade é encontrada em bairros mais pobres, em iniciativas da própria comunidade. Na maior parte, são creches que recebem crianças para que suas mães possam trabalhar. Algumas, mais organizadas, fornecem refeições e educação, além de cuidados básicos.

Todas elas são fiscalizadas pelo poder público, donde recebem auxílios variados, menos verbas oficiais.

A motivação que me levou a essas visitas foi saber como conseguem se manter. Todas se valem da contribuição comunitária. Um grande número de pessoas são contatadas por telefone. Algumas têm serviços próprios, com voluntários que exercitam o chamado “telemarketing”, outras se valem de empresas que executam esta tarefa.

Fui advertido sobre o “modus operanti” de certas empresas de “telemarketing”. Elas repassam parcelas mínimas do que arrecadam. Geralmente 30%, ficando com 70% do montante. Algumas repassam somente 15%!

A maior surpresa que encontrei foi a arrecadação para instituições que não estão funcionando… Isso é imoral, desonesto, e o grau de ilegalidade deve ser investigado pelo Ministério Público.

A maneira mais eficiente de arrecadação é a autorização para débito em conta, pois, além das taxas bancárias, nada mais é deduzido, e as contribuições se fazem pelo seu valor integral. Poucas instituições se utilizam deste mecanismo. Outra maneira é por meio de boletos que os doadores pagam por intermédio do sistema bancário. Um grande número se vale do “telemarketing” empresarial, perdendo uma parcela substancial de recursos.

A Secretaria Municipal de Ação Social deveria ter um serviço próprio de orientação e ajuda a essas instituições com objetivo de montar um sistema de arrecadação mais eficiente.

O “telemarketing” pode ser uma ótima maneira de ganhar doadores, mas a partir daí, a arrecadação deve ser feita por mecanismos mais producentes. Isso só será obtido com ajuda especializada, e cabe ao poder público essa tarefa de orientação e cooperação com a benemerência cidadã.

O Povo de Santa Maria é solidário, mas o exercício da caridade não deve se transformar num meio de locupletação ilícita.

Fica para ser resolvido o problema dos doadores eventuais. Sugiro que os contatos sejam relatados a um órgão de fiscalização e, a partir daí, os doadores passam a ser visitados por pessoas credenciadas e bem intencionadas para a adesão aos planos de continuidade.

*Texto publicado originalmente no Diário de Santa Maria – edição de 29, 30 de abril de 2017

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