Transtornos de Estresse Pós Traumático: saiba como é possível revertê-los e restaurar o bem-estar

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Michele Lopes – psicóloga

 

O Sistema Nervoso Autônomo (SNA) é a origem de todas as nossas respostas de sobrevivência, atua automaticamente (sem o nosso controle) e regula todas as funções básicas do corpo. O SNA tem duas ramificações: o Sistema Nervoso Simpático e o Sistema Nervoso Parassimpático.

– O Simpático opera como o pedal de aceleração do sistema nervoso, nos dando energia para qualquer ação que planejarmos, nos preparando para enfrentarmos emergências e ameaças e nos ajudando na preparação para o perigo.

– O Parassimpático opera como o pedal de freio do sistema nervoso, nos ajudando a relaxar, descontrair e por último, descarregar a ativação do Simpático.

O SNA possui uma função auto reguladora de ativação do simpático e do parassimpático que nos garante a sobrevivência em situações difíceis como medo, abandono, choques, estresse extremo, violência e outras, e que também proporciona o equilíbrio de todas as funções básicas do organismo, como fome, sono e etc.

Porém, segundo Peter Levine, quando esta função auto reguladora é bloqueada ou perturbada, os sintomas do trauma se desenvolvem como formas de conter esta ativação não-descarregada. Ou seja, quando o organismo é forçado além de sua capacidade adaptativa para regular os estados de ativação, ocorre o trauma. E com ele podemos observar inúmeros sintomas físicos e emocionais aos quais chamamos TEPT – transtorno de estresse pós traumático.

“Os sintomas do TEPT surgem quando os mecanismos normais reguladores são interrompidos de alguma forma.” (P. Levine)

Sintomas como mania, pânico, ataques de raiva, hiperatividade, hipervigilância, ataques de ansiedade, suores frios, arrepios, tensão muscular, resposta de sobressalto exagerada, dor crônica, incapacidade de dormir e relaxar, podem ser observados em resposta à superativação do SNS.

Sintomas como depressão, desconexão nos relacionamentos, apatia, exaustão, baixa de energia, entorpecimento, tônus muscular baixo, má digestão, funcionamento inadequado do sistema imunológico, podem ser observados em resposta à hiperativação do SNP.

 

O que esperamos do SNA é um equilíbrio entre a resposta do organismo ao estresse (qualquer situação de ameaça física ou emocional) e o retorno desse mesmo organismo ao estado de relaxamento. Pois, assim como temos uma ´reação de estresse´ como uma resposta corporal natural, também temos uma resposta natural de relaxamento (reações semelhantes àquelas desencadeadas quando, na orla da praia, colocamos nossos pés na areia e observamos a imensidão do mar).

O que acontece nos dias atuais é que a agitada sociedade moderna não nos dá muitas chances para esta evocação natural. Logo, para controlar ‘nosso estresse’ precisamos nos envolver com práticas intencionais, que propiciem a resposta de relaxamento.

Hebert Benson, afirma que a “ativação repetida da resposta de relaxamento pode reverter problemas físicos constantes e restabelecer os danos causados pelo estresse.” (Timeless Healing, 1996)

Sendo assim, os traumas, que não são doenças nem distúrbios, mas feridas causadas por medos, desamparos e perdas, podem ser curados com a nossa capacidade inata de autorregular os estados elevados de ativação e as emoções intensas. E, para tal, podemos lançar mão de abordagens terapêuticas que desenvolvem a consciência e o domínio de nossas sensações físicas e nossos sentimentos, criando estados fisiológicos, sensoriais e afetivos que transformem os estados de medo e desesperança e restaurem o bem-estar.

 

*Desde outubro a psicóloga Michele Lopes  é conveniada da APUSM e oferece custos especiais  em consultas e tratamentos para associados e familiares.

Para mais informações entre em contato pelo telefone (55)91585816 ou através do email michelelopes.sr@gmail.com

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