Crônica: Celina Fleig Mayer e os “Retalhos da Criatividade”

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Celina Fleig Mayer *

 

Há alguns anos, a Feira  do Livro de Santa Maria traz ao público um pouco do que se escreve aqui, quando um grupo de pessoas,pertencentes à Academia Santa-Mariense de Letras,lança sua ANTOLOGIA (neste ano a VII). Para quem participa, é uma tarde-noite de satisfação imensa, ,que reúne os colegas, liderados pela simpatia e entusiasmo contagiantes do Presidente,João Marcos Adede Y Castro,  em torno de um semi-círculo, sob o lonão da Praça,  para autografar a obra,enquanto recebem apertos de mão, abraços, cumprimentos. Olhos nos olhos, o leitor e o escritor, sentem a epifania do momento único, mesmo sendo desconhecidos entre si. Grafar o nome em cada livro apresentado é um momento mágico para quem o faz e para o outro que registra  naquele nome  o semblante do autor. Depois, ao ler, provavelmente, o  não mais estranho lembrará dessa troca de energia, e terá em sua frente a imagem de quem, ali , sob o toldo,  sorriu para ele,numa comunicação rápida mas, quem sabe, inesquecível.

Quem esteve na Praça Saldanha Marinho, na Feira do Livro,  neste 8 de maio,  tem noção do presente  ganho. Não daqueles que se desembrulha à vista do  doador,mas no silêncio da hora escolhida para ler o que ali os Acadêmicos escreveram. Esse trabalho, que vem sendo realizado nos últimos anos, tem o aval de uma Comissão Editorial que começa a sua missão antes do término do ano anterior. E, até agora, com justiça, leva o nome  da Organizadora,Professora Lígia Militz da Costa. Ela atravessa as férias de verão sempre sob o compromisso  que lhe foi dado, já com os originais dos sócios, em mão. Num primeiro momento, delega para a comissão editorial, composta por Aristilda Rechia e Ione Rorarto Mainardi, as poesias enviadas. Crônicas são avaliadas por Letícia Raimundi Ferreira e  Máximo José Trevisan,e os Ensaios passam pelo competente critério de Carla Mano, Evandro Weigert Caldeira e Lígia Militz da Costa.

Essa última edição prestou uma homenagem póstuma à Professora Ruth Farias Larré, falecida em março. Os trabalhos dela, em Poesia e  Prosa, fazem parte da edição. E vale a pena debruçar-se sobre seus escritos. Das Poesias, tiramos fragmentos de  POR QUE AQUIETAR-SE, ela que jamais sonhou, tão inquieta e produtiva,  que o momento definitivo estava por chegar, calando-a para sempre.  Escreveu aí: “Por que aquieta-se se  há histórias por ouvir/poesia para emocionar/letras e letras por ler e escrever/ tristezas por consolar?” Premonição? Na  crônica SER FELIZ (escrita em fevereiro de2015, suas últimas férias de verão,em Camboriú) “Vocês tem dúvida  de como se pode ser feliz? Pois eu tenho certeza de que sempre é através de pequenos ou grandes retalhos de momentos prazerosos”.(Todos os textos da Antologia deveriam ser entregues em novembro de 2014, e este título,que é exceção na data, se deve ao seu falecimento).  Ainda na prosa, NO CONSULTÓRIO, Ruth  descreve suas visitas aos médicos, com quem se tratava. Em nenhuma ocasião, a desconfiança da doença insidiosa que a levou à óbito. Ela relata que o  endocrinologista perguntou: ”Tens alguma queixa, Ruth? Alguma dor? Um incômodo de qualquer natureza”. E ela conta  ao especialista  sobre o seu maior problema: necessidade de oito horas diárias de sono … (Sonho de todos nós que brigamos com as madrugadas insones!)

A  ausência de Ruth na Academia Santa-Mariense de Letras, deixa uma lacuna imensa, mas  consegue o milagre de fazê-la permanecer entre nós, através dos seus escritos. E  esse lançamento da VII Antologia, com seus retalhos de criatividade, tão prestigiados pelo público, ficará como um marco na História da ASL.

 

*Celina F Mayer é jornalista

 

 

 

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