Crônica: “Novos Velhos”, por Máximo José Trevisan*

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Os brasileiros têm hoje expectativa de que viverão mais. Novos velhos é o nome da geração dos que não pensam em 60 anos, mas em 80, 90 e até 100 anos de vida. Essa realidade gera uma nova cultura nas relações com o presente e o futuro. Jornais/rádios/tevês/internet têm abordado o tema com frequência. Há os que  cultivam um otimismo ingênuo  e há também os que praticam  um negro pessimismo. Há quem trate a terceira idade como a melhor idade, enquanto outros afirmam que “envelhecer é uma merda” (William Bonner, revista Alfa). Quem está com a razão? Quem cultiva a realidade e a verdade?..

O mundo dos velhos de hoje não é igual ao de ontem porque mais complexo, amplo e multifacetado. A presença dos desaposentados no mercado de trabalho está em ascensão. Ocupam atualmente em torno de 15% dos postos de trabalho no Brasil. Inovações tecnológicas surgem para atender à demanda dos idosos. A designer lituana Egle Ugintaite, por exemplo, em 2011 recebeu o prêmio da Fujitsu, no Japão, ao criar para idosos uma bengala high-tec (the aid – o auxílio) que tem, entre outras funções, medir a pressão arterial, a pulsação sanguínea, além de contar com GPS para ninguém perder o caminho de casa! As ciências médicas e  comportamentais tiveram progresso extraordinário. Até  a construção civil, no Brasil, inova com projetos focados nos velhos. Residências de luxo para maiores de 60 anos, em capitais brasileiras, já têm serviço de quarto, atendimento médico e enfermagem 24 horas, academia e sala de cinema. O Brasil tem hoje aproximadamente 20,6 milhões de pessoas com mais de 60 anos; em 2030 terá mais de 40 milhões, conforme noticiou o IBGE, em 30/07/2014. Cuidadores   de idosos estão para ter a sua função regulamentada em lei.

Mas, afinal, mesmo com o já conquistado, o que é envelhecer hoje neste Brasil? Um sonho (viver mais e melhor) ou uma merda, como classifica Bonner, em incomum desabafo? É possível viver com dignidade e qualidade na velhice em cidades tão despreparadas para os idosos, que não precisam de privilégios, mas de respeito e apoio.

Bárbara Strauch, editora do New York Times, autora da obra “O melhor cérebro da sua vida”, afirma que o exercício físico aumenta o volume do cérebro e melhora a capacidade de aprendizagem. Ivan Izquierdo, grande pesquisador brasileiro, recomenda a leitura como um meio eficaz para a saúde mental e a revitalização da memória. São lições de vida que podem ser consideradas como auto-ajuda, no sentido mais autêntico da palavra.

Envelhecer! Dar-se conta do que já passou, do que está passando (o mais importante) e do que poderá passar (futuro que talvez venha). Envelhecer! Deixar de ser o jovem que pensava saber tudo, o de meia idade que julgava saber quase tudo para, na velhice, viver cada dia a sabedoria de saber que sabe “quase nada” do essencial!  Envelhecer! Tempo de cinco estações – primavera, verão, inverno, outono – e estação presente, feita de momentos frágeis, mas especiais e irrepetíveis!

*maximotrevisan@uol.com.br   

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