Convênio da UFSM com empresa israelense passará por reavaliação

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Representantes de Comitê e de entidades questionam parcerias em favor de projetos militares

Na quinta-feira, o reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Paulo Burmann, recebeu as entidades que integram o Comitê Santa-mariense de solidariedade ao povo palestino. Durante o encontro foi entregue um documento em que são solicitadas informações a respeito de um convênio envolvendo a UFSM e outras universidades gaúchas, por meio do governo estadual, com a empresa israelense Elbit e sua subsidiária, a Ael. O convênio se relaciona ao desenvolvimento de um polo aeroespacial, no entanto, devido à escassez de informações, as entidades solidárias aos palestinos desconfiam da possibilidade de uso militar dessas pesquisas.

A Seção Sindical Docente (Sedufsm), o Diretório Central de Estudantes (DCE) e a Associação dos Servidores da UFSM (Assufsm) encaminharam documento questionando os projetos, programas, convênios e todo tipo de ação que envolva juridicamente alguma organização israelense. Eles questionam a participação da UFSM e os tipos de relações estabelecidas com Israel.

Segundo Paulo Burmann, o convênio com a Elbit não teve efeito prático em função de que a fonte financiadora do projeto, a Finep, teria negado um repasse de R$ 40 milhões. Contudo, uma notícia trazida pelo professor do curso de Engenharia Civil da UFSM, Gihad Mohamad, afirma que o banco de fomento federal (BNDES) estaria se dispondo a repassar o valor negado pela Finep. Para o reitor, se isso realmente acontecer, o projeto será posto em nova avaliação pela administração. Na hipótese de uso militar do projeto, a posição de Burmann é contrária a que seja desenvolvido pela UFSM.

A Elbit Systems é especializada na produção e exportação de tecnologia militar. É responsável, por exemplo, pela fabricação de drones e aeronaves não-tripuladas.

Polo de defesa – A consolidação de Santa Maria como um polo de defesa e a possibilidade de expansão econômica em torno da tecnologia militar tem sido uma das bandeiras da Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (Adesm) e da Prefeitura, em consonância com as lideranças militares e empresariais da cidade. Diversas empresas de várias partes do mundo, inclusive de Israel, já demonstraram interesse em instalar unidades industriais e de desenvolvimento de tecnologia na cidade, de forma a aproveitar o potencial militar concentrado. Santa Maria possui atualmente o segundo maior efetivo militar do País, sendo conhecida como a “Capital dos Blindados”. O protesto das entidades se deve aos recentes ataques de Israel à Faixa de Gaza, onde vivem os palestinos.

As empresas que já visitaram SM

O potencial tecnológico e militar da cidade tem atraído a atenção de muitas empresas. A alemã KMW, por exemplo, está finalizando a construção de sua unidade para fabricação de blindados e já utiliza um espaço no Santa Maria Tecnoparque para o desenvolvimento de simuladores. Outra que esteve visitando a cidade foi a empresa canadense CAE System, que produz simuladores para treinamento militar.

A Tecnobit, da Espanha, é uma empresa da área de engenharia que tem foco voltado para segmentos como segurança, defesa, transporte e telecomunicações. A Elbit, de Israel, já atua na cidade, principalmente em projetos de simuladores e sistemas de informação. Um de seus produtos é a aeronave não tripulada, usada pelo Esquadrão Hórus, da Base Aérea de Santa Maria.

Fonte: A razão.

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