Crônica: Como sair da casinha numa boa, por Celina Fleig Mayer

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   Celina Fleig Mayer é jornalista e escritora

Há alguns anos li a obra, entre tantas, da autora Louise Hey,  “Você pode curar sua vida”. Auto-ajuda?  Mas o que importa é que a autora me abriu os olhos para muitas verdades e me confirmou outras tantas em que já acreditava, sem colocá-las em prática. Entre vários ensinamentos, ela aconselha que não se insista tanto com as crianças no colégio com datas históricas, e seja enfatizado como devem funcionar as “relações humanas”, em todos os níveis, porque é isso que está faltando demais, hoje.

Mas havia um capítulo, e até nem  sei se estava escrito lá ou eu intui e adaptei, que me provocou um clic, de repente.  Vai ver, fiz uma “leitura” do que li. E descobri com a autora (talvez esteja inventando, até) que casamento é uma espécie de “armadilha”, pois duas pessoas que são loucas uma pela outra, ao perderem a motivação, passam a se ver como gente comum, porque vivem lado a lado. Às vezes grudados e sufocados. Por isso, os defeitos crescem bastante, e as qualidades mínguam. O homem é bagunceiro?  Sempre foi, não tem conserto. Daí a ideia de “sair da casinha”, sair de perto, mesmo estando junto,  dar-se um distanciamento e ver o outro revestido com toda aquela roupagem que fez, no passado, com que ficássemos apaixonadas. E sentíssemos saudades por qualquer ausência que se impusesse.

Afinal de contas, quando implicamos muito com os defeitos do outro, estamos afofando o terreno onde eles vingam, e a relação fica bem mais difícil. Por trás daquilo que não gostamos, ainda existe tudo o que nos encantava no cara.  Se a gente apelar para uma separação – sem aqueles motivos seríssimos, que existem quando o sujeito muda totalmente de personalidade e se torna um estranho perigoso e intratável –  outra  vai usufruir da pessoa boa que conhecemos no passado e deixamos ir “morrendo” aos poucos.  (Cabe aí a sentença:  “dize-me com quem andas…”). Essa vai se encantar e, quem sabe, multiplicar os dons que ele já tem. E nós, sem remédio para a bobagem praticada, vamos voltejar em torno da infelicidade, acusando o destino e o homem que, de tão safado, só soube dar valor pra essa segunda (terceira ou quarta) “chance” de vida a dois.

Sair da casinha dessa vivência de já saber tudo do outro, tendo a resposta pronta sempre igual e esperada, tipo um “mantra” mal rezado,  pode dar um up na relação. Ninguém precisa aprender sobre isso. Leva tempo para decorar a teoria. Mas na prática, é pra começar já, mudando a aparência fechada que, geralmente, pregamos no rosto, e tratar o tão conhecido como um estranho, a quem, “inconscientemente” queremos seduzir. E, nós sabemos como mudar, para que uma boa e surpreendente impressão faça com que o homem escolhido fique encantado. Os dois, aí sim, vão saber o que é sair da casinha sufocada da mesmice.

(Nota: Faço referência ao gênero feminino,  mas cabe direitinho para eles, também).

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