Professor Ayala escreve sobre a pesquisa coparticipativa

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A pesquisa coparticipativa e um breve ensaio à guisa de conclusão

 

Prof. Dr. Eduardo J. Z. Ayala – eduayala@ibest.com.br

 

  1. 1.      Considerações iniciais

Tanto a pesquisa-ação como a participante são dois procedimentos investigativos que derivam das condições sócio-econômicas e científicas da América Latina dos anos 60. Mais especificamente,

do impacto causado pelas teorias da dependência (Cardoso, Furtado) e da exploração (Gonzáles, Casanova), da subversão (Camilo Torres), da teologia da libertação (Gutierrez), das técnicas dialógicas (Paulo Freire) e da reinterpretação das teses de compromisso e de neutralidade dos cientistas, tomadas de Marx e Gramsci (Viezzer, 2010, p. 1).

Ao que tudo indica esses dois modos participativos se fincam em uma pressuposição emancipatória que põe em foco a libertação das classes oprimidas, pelo capitalismo, em âmbito terceiro-mundista.

Quanto a este trabalho, se diria que ele é motivado por dois objetivos precípuos: (1) apresentar, num primeiro momento, o significado essencial de pesquisa co-participativa e; (2) Numa etapa ulterior, tenciona-se aferir o vigor da serventia desse procedimento de averiguação desde a ótica da contemporaneidade.

No concernente ao método: para alcançar o primeiro objetivo se recorrerá a uma simples narrativa conceitual; já para atingir o segundo, é mister lançar mão do ensaio entendido como um texto científico

que desenvolve uma proposta pessoal do autor a respeito de um determinado assunto. Embora encerre o pressuposto de conhecimentos adquiridos no meio científico comum, o ensaio pretende expressar a visão do autor, até mesmo de forma independente com relação ao pensamento científico e comum a respeito do assunto. Pode-se pensar o ensaio científico como “um conjunto de impressões do especialista”. É claro que o valor científico do ensaio depende do respeito da comunidade científica pela autoridade e pelo notório saber do ensaísta (Santos, 2001, p.45).

Cumpre advertir que o ensaio pretende expressar a visão do autor… Transmite uma proposta pessoal… Reúne o conjunto de impressões do especialista (neste caso, do ensaísta). Enfim, por trás do ensaio há um gesto ousado explícito, um impulso quase iconoclasta que, com todas as suas naturais e compreensíveis limitações, insiste em repensar algo: talvez uma específica proposta, quiçá uma concepção do mundo. De qualquer maneira, não é difícil notar que o ensaio não é preceito e sim reflexão crítica, não pretende socializar idéias prontas, mas debatê-las sempre. O seu estatuto não condiz com a sacralização de conceitos; ao contrário, com a permanente discussão e superação destes… (Ayala, 2007, p. 09).

  1. 2.      A pesquisa-ação

Atribui-se ao psicólogo Kurt Lewin a paternidade da pesquisa-ação,

ele a desenvolveu quando atuava junto ao governo norte-americano, e a princípio suas pesquisas tinham por finalidade a mudança de hábitos alimentares da população e também das atitudes dos americanos em face dos grupos étnicos minoritários (Ghedin e Franco, 2008, p. 211).

Lewin pensava que o exame das diferentes ações humanas, dentro da sociedade, era substancial para a indicação de novas formas sociais de atuação. Esta proposta caiu em declínio nos anos 60 em virtude da sua associação com o ativismo político radical (Smith, 2012). Atualmente, muitas publicações no círculo acadêmico brasileiro, especialmente, são quase unânimes ao atribuir à pesquisa-ação uma conotação empírica fora dos moldes do positivismo; diz-se que ela privilegia, em troca, valiosos referenciais teóricos intrínsecos aos fins da investigação em ciências sociais e humanas. Além do mais,

é uma estratégia metodológica da pesquisa social, na qual existe ampla e explícita interação entre o pesquisador e as pessoas envolvidas na situação investigada; dessa interação resulta a priorização dos problemas a serem pesquisados e das soluções a serem encaminhadas em ações concretas (Gonçalves, Leite e Ciampone, 2013, p. 50).

A pesquisa-ação contempla uma população intermediária, entre o nível micro (indivíduos, pequenos grupos) e o macrossocial (sociedade, movimentos e entidades de contexto nacional ou internacional). Como diz Thiollent: ela

não trata de psicologia individual e, também, não é adequada ao enfoque macrossocial… É apenas um instrumento de trabalho e de investigação com grupos, instituições, coletividades de pequeno ou médio porte. Contrariando a certas tendências da pesquisa psicossocial, os aspectos sócio-políticos nos parecem ser mais pertinentes que os aspectos psicológicos das “relações interpessoais”. Na abordagem da interação social, aqui adotada, os aspectos sócio-políticos são frequentemente privilegiados. O que não quer dizer que a realidade psicológica e existencial seja desprezada (Apud Ayala e Lameira, 1989, p. 12).

Quanto à questão metodológica, a pesquisa-ação acompanha uma lógica dialética, concebe os fenômenos em constante movimento e contradição, opondo-se, destarte, à lógica tradicional (ou formal) inerente ao positivismo. Aliás, esta variedade coparticipativa oferece subsídios para organizar a pesquisa social aplicada sem os excessos da postura convencional ao nível da observação, processamento de dados, experimentação, etc. (Op. cit., p, 13). Quando necessário, ela agrega vários métodos, técnicas ou abordagens utilizados na investigação social com o intuito de captar informações úteis; tudo isso a partir da demanda de uma estrutura coletiva, participativa e ativa. Desse modo, a pesquisa-ação é aberta e flexível na concepção e aplicação dos meios e mecanismos de investigação, evitando, assim, que a ciência se transforme em sinônimo de um único rótulo teórico-metodológico como funcionalismo, positivismo, empiricismo, etc. Contudo, é apropriado reconhecer que este estilo coparticipativo de indagação busca uma ciência

articulada em ações pertinentes e emancipatórias, tendo em vista a transformação das condições de existência, passa a ser considerado um saber — um conhecimento engajado, circunstanciado, transformador, integrado às estruturas cognitivo-emocionais do sujeito (Ghedin e Franco, Op. cit., p. 244).

Por fim, são dois os propósitos fundamentais desta modalidade participativa de inquirição científica: prático e científico. No primeiro caso, oferece sugestões concretas que auxiliam o grupo na resolução da situação-problema em foco. No segundo, contribui com o acréscimo do conhecimento de práticas compatíveis com a reivindicação e a mobilização sociais.

  1. 3.      A pesquisa participante

Teve a sua origem, segundo alguns educadores, na proposta pedagógica de Paulo Freire que coloca em questão a eficácia das tradicionais cartilhas de alfabetização de adultos que, segundo ele, continham palavras alheias e distantes do universo simbólico dos alfabetizandos (do tipo: “Eva viu a uva”, “A ave é do Ivo”). Logo, seja lembrado que

a teoria do conhecimento de Freire sobre alfabetização deve ser entendida no contexto em que surgiu, o nordeste brasileiro; onde, no início da década de 60, metade dos seus habitantes vivia “na cultura do silêncio”, era analfabeta… O seu método de ensino das primeiras letras tomou forma no interior do Movimento de Cultura Popular do Recife, sua terra natal, tendo como objetivo principal a “conscientização” das massas (Cechin e Ayala, 1990, p. 4).

Sem entrar em pormenores, os passos do referido método são, mais ou menos, os seguintes: (1) Pesquisa do universo vocabular ou obtenção das palavras mais utilizadas pelo grupo a alfabetizar-se; (2) escolha dos vocábulos geradores que simbolizam, principalmente, a existência concreta de homens e mulheres iletrados — por exemplo, para o/a lavrador(a), termos como “governo”, “chuva”, “enxada”, “lavoura”… Já para o/a operário(a), palavras como “voto”, “favela”, “tijolo”, “salário”… —; (3) identificação do tema que deu origem a cada vocábulo gerador; assim, o tema “relações do homem e a mulher com a natureza: o trabalho” como fonte do termo “lavoura”; (4) discussão, no grupo, sobre as fichas de cultura (desenhos) que reproduzem o cotidiano do(a) alfabetizando(a); digamos, a “enxada” e ele(a) no ato de capinar; (5) apresentação escrita da palavra que tem conexão com a ficha em observação para o seu reconhecimento visual e a sua captação mental; (6) decomposição (ou escansão) por sílabas do vocábulo observado; ou seja, se ele for “trabalho” as parcelas seriam tra-ba-lho; (7) associação dessas sílabas (tra-ba-lho) a cada uma das letras fonêmicas (vogais) da nossa língua (a, e, i, o, u); isto é, tra-tre-tri-tro-tru / ba-be-bi-bo-bu / lha-lhe-lhi-lho-lhu; (8) combinação dessas sílabas para a obtenção de novos termos como “bolha”, “tribo”, “tralha” e assim por diante. Mais detalhes sobre este tema pode ser encontrado num breve, mas substancioso estudo de Carlos Rodrigues Brandão (1983).

O método freiriano de alfabetização foi construído, a todas as luzes, com o categórico propósito de redimir as massas oprimidas através de uma pedagogia concientizadora e, por isso mesmo, desalienante. A veemência dessa proposta se explícita na escolha dos vocábulos geradores que, em si, representa uma ruptura com o instituído por uma educação hegemônica que dá de ombros para a miséria, a servidão e a ignorância. Somente a conscientização sobre a nossa real condição humana e a concretude do mundo que nos cerca pode, sim, mostrar-nos as diferenças sociais antípodas e desmedidas que existem neste país.

É evidente e impressionante, mas os opressores jamais poderão provocar a conscientização para a libertação: como desmitologizar, se eu oprimo? Ao contrário, porque sou opressor, tenho a tendência a mistificar a realidade que se dá à captação dos oprimidos, para os quais a captação é feita de maneira mística e não crítica. O trabalho humanizante não poderá ser outro senão o trabalho da desmistificação. Por isso mesmo a conscientização é o olhar mais crítico possível da realidade, que a “des-vela” para conhecê-la e para conhecer os mitos que enganam e que ajudam a manter a realidade da estrutura dominante (Freire, 1980, p.29).

Do ponto de vista metodológico, Freire não foi um pesquisador participante stricto sensu, contudo, o seu processo orgânico e sequencial de alfabetização suscitou um novo paradigma de interação dialógica que, de forma gradual, se tornou extensivo à pesquisa coparticipativa. Por conseguinte,

fora da vertente educativa, a linha sociológica da pesquisa participante foi inaugurada por Orlando Fals Borda, sociólogo colombiano. Sua postura, na década de 1970, era de um compromisso radical com as lutas populares contra o imperialismo e o neocolonialismo, chegando a criticar duramente as propostas de inserção em comunidades de pesquisadores que fossem deformados por suas fontes de financiamento, pela vontade de estabelecer uma “linha correta” de pensamento ou pelo reformismo/desenvolvimentismo que buscasse fórmulas de prevenção de insurreições populares (Manolo, 2009).

Segundo Huynh, a concepção participante é uma pesquisa da ação voltada para as necessidades básicas do indivíduo (Apud Borda, 1983, p. 43), especialmente daquele que as circunstâncias da história o situaram na base da pirâmide social. Em função disso, a intenção desta modalidade investigativa indigita o segmento constituído por operários e camponeses que, de feito, vivem em situação de carência nas atuais estruturas sociais de países de economia subalterna. O préstimo da pesquisa participante, portanto, consiste em inquirir ao lado deles e não sobre eles, uma vez que a descoberta coletiva dos seus desejos e das suas capacidades de conhecer e agir para transformar são insumos fundamentais e inspiradores.

É realmente complicado estabelecer uma nítida diferença entre a pesquisa-ação e a participante, mormente por conta do caráter brumoso e evasivo da literatura a este respeito. Até parece que os autores que se ocupam do assunto perambulam dentro de um circunlóquio que traduz duas conclusões: ou não existe diferença entre ambas ou, então, ela é ínfima. Após a revisão de uma conhecida obra de Thiollent (2007), pareceu-me que a forma de aproximação (inserção) do pesquisador no ambiente dos sujeitos da pesquisa é a que, levemente, distingue uma da outra. Na pesquisa-ação o investigador inclui-se no grupo de estudo durante o próprio processo de averiguação conjunta, ao passo que na participante, a aceitação dele, tem de ser prévia à execução da tarefa investigativa. De qualquer forma, acredito que o nó górdio sobre este impasse pode ser desatado com uma observação válida para as duas formas coparticipativas:

Mostra-se pertinente a proposta de que a pesquisa-ação (e a participante) tenha uma fase preliminar constituída pelo trabalho de inserção do pesquisador no grupo e de autoconhecimento do grupo em relação às suas expectativas, possibilidades e bloqueios. Essa fase preliminar é também fundamental para o estabelecimento de um contrato de ação coletiva, em que se podem esclarecer questões referentes à ética da pesquisa, aos compromissos com a ação coletiva, às finalidades do trabalho a ser desenvolvido… Esse contrato deve ser aberto e constantemente questionado (Ghedin e Franco, Op. cit., p. 241).

  1. 4.      Fundamentação teórica da pesquisa participante

Seguindo um traçado concomitante com um artigo de Borda (Op. cit, pp. 42-56) se tentará fazer um compêndio sobre o significado prescritivo da investigação participante; as inclusões em itálico e sem referências pertencem ao autor e ao trabalho citado logo acima. Por conta própria, acrescentarei algumas considerações textuais com o fito único de complementar o ideário inscrito na tese do pensador em questão. Vejamos a fundamentação teórica deste estilo de pesquisa que leva em conta cinco pontos essenciais:

(1) A ciência revisitada: não existem princípios inequívocos na esfera do conhecimento científico, pois este variará em consonância com os interesses das classes sociais envolvidas na procura do saber necessário. O que realmente interessa é o exame do processo de produção do novo conhecimento e não o produto final representado por objetos, artefatos, leis, princípios, formulas, teses, paradigmas ou demonstrações. O interesse deve sinalizar questões de maior relevo societário — como é construída a ciência? Quem são os partícipes da sua elaboração? Por que e para quem? Etc.

(2) Ciência dominante e ciência emergente: a comunidade científica ocidental, na realidade, determina as pautas para contrastar o congruente do incongruente no campo do conhecimento. O intuito é claro: dar sustentação ao status quo político e econômico do qual esse saber é o seu constitutivo. Diante disso, a denominada ciência incongruente (emergente e subversiva) surge como única alternativa eficaz para a restituição da dignidade e dos valores da classe desfavorecida, de preferência.

(3) O conceito de ciência popular: surge como consequência do senso comum do trabalhador das camadas subalternas que, por sua vez, se ancora na racionalidade que emana da própria empiria. Mas,

o que é senso comum? Esta expressão não foi inventada pelas pessoas de senso comum. Creio que elas nunca se preocuparam em se definir. Um negro, em sua pátria de origem, não se definiria como ‘pessoa de cor’. Evidentemente. Esta expressão foi criada para os negros pelos brancos. Da mesma forma a expressão ‘senso comum’ foi criada por pessoas que se julgam acima do senso comum, como uma forma de se diferenciarem das pessoas que, segundo seu critério, são intelectualmente inferiores. Quando um cientista se refere ao senso comum, ele está, obviamente, pensando nas pessoas que não passaram por um treinamento científico (…) O senso comum e a ciência são expressões da mesma necessidade básica, a necessidade de compreender o mundo, a fim de viver melhor e sobreviver. E para aqueles que teriam a tendência de achar que o senso comum é inferior à ciência, eu só gostaria de lembrar que, por dezenas de milhares de anos, os homens sobreviveram sem coisa alguma que se assemelhasse à nossa ciência. A ciência, curiosamente, depois de cerca de quatro séculos, desde que ela surgiu com os seus fundadores, está colocando sérias ameaças à nossa sobrevivência (Alves Apud Ayala, 2004, p. 87).

Ademais, pouco importa a designação (folclore, sabedoria popular, conhecimento vulgar, saber empírico-acrítico ou senso comum) atribuída à cultura do homem “simples”, o que realmente interessa é que esse conhecimento lhe serviu, por muito tempo, para sobreviver e construir uma relação de harmonia com o seu mundo. Ainda, haja vista que o saber popular não é codificado conforme os moldes da classe dominante, ele é menosprezado como se não tivesse o direito de articular-se e expressar-se em seus próprios termos. Apesar disso, parece prudente sublinhar que o

senso comum e o método científico são duas formas importantes de captação da realidade. Os tipos de conhecimento que derivam de ambos, mesmo sendo diferentes, são igualmente relevantes para a compreensão dos acontecimentos e a resolução dos problemas da vida. É inócua a tentativa hierarquizante de uma ou outra forma de cognição humana, porquanto elas mantêm uma relação de complementaridade. Pelo senso comum o cientista se aproxima do problema de pesquisa e, posteriormente, ao término da investigação, também pelo senso comum, em muitos casos, propõe os critérios para a utilização do saber sistemático adquirido (Ayala, 2009, p. 4).

(4) A ciência e o interesse de classe: nos países ocidentais — centrais e periféricos — existe uma estrutura científica especialmente montada para zelar pelos interesses da burguesia e, por consequência, também para impedir o desenvolvimento de outros enfoques que visem à solução de problemas que tem origem na base da sociedade. Os socialistas pensam diferente, tão logo consolidado o poder das classes proletárias, mediante a ação político-revolucinária, é prudente preservar o conhecimento elaborado pela burguesia; ele pode ser benéfico para o fortalecimento da causa popular. Portanto, não é imperativo destruir o anterior para se empenhar numa reconstrução de acordo com os novos planos científicos revolucionários.

(5) Ciência e poder político: Conforme a proposta participante, o cientista que defende uma causa justa não deve permanecer insensível aos problemas que afetam o presente e o futuro da humanidade. O verdadeiro cientista tem em mente questões como estas: qual é o tipo de conhecimento que queremos e precisamos? A que se destina o conhecimento científico e quem se beneficiará dele? Para tanto, é imprescindível aproximar-se dos setores excluídos como forma de entender as suas versões e, acima de tudo, para organizar, em conjunto, um projeto político-científico que responda às reais necessidades da base.

  1. 5.      Orientação metodológica da pesquisa participante

Num segundo momento Borda expõe, no mesmo artigo de sua autoria, seis princípios metodológicos intrínsecos à pesquisa participante que, igualmente, serão resumidos sem omitir pequenos acréscimos quando necessários. Eis cada um deles:

(1) Autenticidade e compromisso: de nada adianta a postura pequeno-burguesa do ardoroso cientista de esquerda que, imitando os trejeitos ou a forma de ser do homem comum, imaginava outrora ser como ele. Nos tempos que correm essa atitude não vai além de pura macaquice e extrema falta de autenticidade. Nas lutas populares há lugar para intelectuais de qualquer ordem e gênero quando precedidas de honestidade e de visível envolvimento com a causa dos menos favorecidos.

(2) Antidogmatismo: a aplicação de formulações preconcebidas no trabalho de campo é inconveniente por ser politicamente radical; uma espécie de colonialismo intelectual baseado em teses de paises dominantes tanto de esquerda como de direita. O investigador participante não pode arrogar-se o direito de fundar uma ciência para o povo, pois isso significaria incorrer no risco do retrocesso ao velho e dogmático paternalismo que dá as costas aos interesses da coletividade que, certamente, aspira e espera um mundo diferente e melhor.

(3) Restituição sistemática: a cultura do camponês ou do operário não é intransigente nem conservadora e sim realista e dinâmica. Particularmente, a tradição rural é aberta à mudança social, do contrário como explicar tantas insurreições que ocorreram no campo ao longo da história? Perante a difusão dos valores alienantes da classe burguesa, urge reagir com uma atitude que realce a cultura e a participação da população de um modo geral. A própria guerra dos farrapos, que tanto orgulha o povo gaúcho, é um eloquente exemplo para dar destaque ao heroísmo e à coragem do homem comum dos pampas e não apenas a poucas figuras (Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi, Davi Canabarro…) que, entre tantas, fizeram parte desse grande evento histórico. Esta seria uma forma de restituir os méritos que foram arrancados das massas populares para mantê-las caladas e reprimidas ao arrepio da justiça e a dignidade humana. Contudo, esse débito com o povo deverá ser saldado seguindo quatro regras específicas: (a) comunicação diferencial: os materiais históricos (informações fornecidas, ou estudos realizados), basicamente, serão apresentados em conformidade com o nível político-educacional dos grupos de base; (b) simplicidade de comunicação: à apresentação dos materiais segue-se uma exposição oral sobre os mesmos, porém numa linguagem acessível a todos e sem que isto signifique que tal forma de comunicação deturpe qualquer detalhe da pesquisa; (c) auto-investigação e controle: é o grupo de base quem resolve o que deve ser investigado e/ou aprofundado, seria uma espécie de “nossa investigação sobre o nosso problema”, descartando-se, deste modo, interesses individuais oriundos de pesquisadores e outros intelectuais. No entanto, é oportuno salientar que a participação desses cientistas é metodologicamente relevante para a execução da pesquisa. Assim, soluciona-se não apenas o problema de “para quem” este estudo é feito, mas também o da incorporação do cientista ao meio em que ele deve atuar. Para essa finalidade têm-se adotado técnicas dialogais e rompido o esquema assimétrico de objeto e sujeito da pesquisa; (d) popularização técnica: esta regra desmistifica a noção elitista do ato de investigar. A averiguação sistemática não é privilégio de um grupo reduzido de profissionais. A pesquisa participante acredita que cursos de metodologia de pesquisa corrente podem ser ministrados aos núcleos de lideranças mais avançados, de modo a capacitá-los a romper com sua dependência frente aos intelectuais e a realizar facilmente a sua pesquisa.

(4) Feedback para os intelectuais orgânicos: antes, é necessário conhecer o significado da palavra feedback que segundo “The american heritage dictionary of the english language” é o retorno de uma porção do produto de qualquer processo ou sistema para o insumo, especialmente quando é utilizado para manter o produto dentro de limites prefixados… Ou, em termos mais amplos, corresponde a qualquer informação sobre o resultado de um processo. Da mesma forma, é importante saber o que se quer dizer com intelectuais orgânicos: há cientistas cuja função é moldar o Estado à imagem e semelhança do grupo hegemônico; estes são os intelectuais orgânicos da classe fundamental. Também há os que defendem os direitos dos grupos oprimidos diante dos atropelos da hegemonia; estes são os intelectuais orgânicos da classe subalterna. Em geral, a maioria dos intelectuais orgânicos possui uma noção insuficiente sobre a ciência do homem do campo ou da fábrica, sobre aquela categoria de conhecimento alcunhado, pelos estudiosos de praxe, de senso comum, popular, acrítico, vulgar, ordinário e por aí afora. Não obstante, a cultura do camponês e do operário contém ingredientes peculiares que não os do cientista engajado, mas que este, necessariamente, deve conhecer mediante de um feedback dialético; ou seja, através de um processo, retorno ou informação coloquial (dialógico) que priorize o ethos, a idiossincrasia da base da coletividade.

(5) Ritmo e equilíbrio de ação-reflexão: uma das tarefas que exige um vasto esforço dos intelectuais orgânicos se relaciona com a articulação do particular com o geral: o conhecimento concreto com o conhecimento geral, o regional com o nacional, a formação social com o modo de produção e vice-versa. Nesse sentido, a compreensão abstrata da conexão indissociável entre as partes e o todo não vai além do que a mera especulação metafísica; e, justamente por isso, é exigência básica a adoção de um raciocínio que proceda da relação dialética entre ação e reflexão, isto, claro está, como uma forma de assegurar o necessário equilíbrio intelectual. A cognição humana, então, se moveria num espiral constante em que o pesquisador e as bases sociais ascenderiam das tarefas simples para as complexas, do conhecido para o desconhecido; processando e sintetizando os dados para analisá-los e interpretá-los e, somente depois, para restituí-los aos que de fato pertencem: às classes trabalhadoras.

(6) Ciência modesta e técnicas dialogais: a execução da atividade científica não requer muita sofisticação, quaisquer recursos disponíveis aliados ao manuseio de concepções técnicas elementares podem conduzir-nos à descoberta de resultados válidos. A despretensão deste processo de pesquisa não desqualifica em nada a importância dos resultados da descoberta, ao invés disso, adiciona novos valores e saberes. Finalmente, eis três considerações importantes no tocante ao desempenho do intelectual orgânico das classes subalternas: (a) desprezar a arrogância do erudito e assumir a humildade dos que querem conhecer; (b) deixar de lado as disparidades imanentes ao entrevistador e ao entrevistado e; (c) admitir, sem reservas, que pesquisadores, núcleos de liderança e grupos de base constituem, não necessariamente nessa ordem, uma única entidade ativa e pensante no processo de desenvolvimento da investigação.

 

  1. 6.      Um breve ensaio à guisa de conclusão

No contexto da dialética marxiana, a pesquisa-ação e a participante colocam-se numa posição antitética perante a prática científica convencional no seio da sociedade liberal contemporânea. Ambos os enfoques veem na busca coparticipativa um instrumento contra hegemônico para a interrupção do status quo em vigência e para a ascensão da ciência popular a um patamar de destaque. Resta apenas um detalhe: quão consistente é essa proposição antitética para esfacelar toda uma formalidade metodológica no campo da pesquisa científica?

A pedra de toque da dialética é o conceito de antítese…  Se a antítese for radical, leva à superação do sistema, porque reflete um conflito que o sistema já não consegue absorver ou resolver. Se a antítese não for radical, determina a manutenção do sistema, ainda que introduza modificações internas (Demo, 1985, p. 114).

Mais de quatro décadas depois do surgimento da pesquisa coparticipativa na América Latina, é justo admitir que a sua contribuição para o enriquecimento da ciência não foi pouca e, sim, razoável. Não entanto, a sua potencialidade prescritiva radical, que almejava, com ardor, a superação do sistema capitalista, se manteve sem a dose suficiente para atingir esse fim. Por um capricho da história o sistema continua sendo o mesmo, porém a investigação sistemática viu-se mais fortalecida pelo acréscimo de uma outra opção alternativa com manifestas pretensões sociopolíticas e mais nada.

Como já foi visto, os adeptos da pesquisa coparticipativa são, por natureza, militantes que professam fidelidade às idéias de Marx. A concepção investigativa que propõem dá inocultável visibilidade a um tipo de averiguação metódica diferente, a uma alternativa científica que se sustenta, com integrismo religioso, na reação contra as desigualdades no meio social capitalista. Assim sendo, o engajamento e o ativismo dos pesquisadores, além de ser um dever moral, espelha uma determinação inconcussa de cunho econômico e social, uma fé imarcescível num futuro mais fraterno, numa sorte de sociedade justa e igualitária. Entretanto, parece que

as superações históricas se concentram sobre a questão da desigualdade social, que é um conflito tipicamente insuperável: conseguimos reduzir, não eliminar. Por causa dela, continua a sociedade inquieta, precária, problemática, superável. Por mais que a sociedade possa sonhar com a utopia da igualdade, a realidade, por ser histórica, realiza formas concretas de desigualdade. O fenômeno da desigualdade seria, assim, ao mesmo tempo, a “desgraça” e o dinamismo histórico (Demo, Op. cit.,1985, p.117).

A prioridade-mor dos países do terceiro mundo, na visão dos pesquisadores coparticipativos, é a busca da consolidação de uma sociedade sem diferenças nem privilégios de classe. E, para que esta mudança aconteça, de fato, a função da ciência militante é superlativa, pois ela teria, pelo visto, a missão precípua de conscientizar às classes exploradas através de um esforço investigativo que focalize: (1) a desmistificação de pseudoconcretudes (reificações [ex. propriedade privada] e fetichismos [ex. poder do dinheiro]) e; (2) a desalienação das inculcações ideológicas subjugantes (reconhecimento de valores próprios em detrimento dos impingidos pela hegemonia). Outras pretensões indagativas que não envolvam esses dois desideratos estão à margem do interesse coletivo e, por isso mesmo, ao serviço escancarado da preservação das vantagens restritas a uma minoria ociosa e privilegiada. Daí a discordância do modelo coparticipativo com a pesquisa tradicional burguesa que privilegia um tipo burocrático de informação que

é condicionado pelas exigências do mercado, por certas características culturais e pelos imperativos de carreira dos investigadores, tendo como efeito desestimular o espírito crítico, a problematização e a teorização sem compromisso (Thiollent, 1982, p.15).

Essa citação demonstra, a todas as luzes, a ideia de que o criticismo, a problematização e o compromisso são totalmente desestimulados pelo estilo de vida associado ao capitalismo tosco e insensível. Será? Às vezes me faço perguntas como estas: o que motiva alguém a pensar que para sermos lúcidos ou perspicazes temos, necessariamente, que ser de esquerda? Por um acaso o materialismo dialético é a única concepção filosófica que possui as três virtudes destacadas, acima, por Thiollent? Por que alguns militantes outorgam ao marxismo o direito privativo de ser a estrela guia que conduz ao éden? Não é de conhecimento geral que a prescrição teórica marxiana, na práxis, foi um rotundo fracasso em muitos países do mundo? No cotidiano, tanto este modesto escriba que vos fala quanto o leitor que percorre as linhas desta escrita e, enfim, todos os bípedes racionais julgam (criticismo), questionam (problematização) e estabelecem acordos (compromisso) dos mais variados tipos para assegurar a existência e as escolhas adotadas. Portanto, a agudeza mental não é um patrimônio exclusivo dos iluminados, mas sim um atributo de homens e mulheres das mais diversas crenças e etnias que, diante de quaisquer desafios, terão de adotar as medidas cabíveis para continuar a viver em sociedade. No romance A guerra do fim do mundo, que narra a “história” de Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos, o autor faz uma impecável exposição sobre a capacidade imanente ao ser humano para entender e superar as dificuldades da vida:

a racionalidade está gravada na cabeça de todo homem, mesmo na do mais inculto, e verificada certas circunstâncias, essa racionalidade pode guiá-lo, por entre as nuvens dogmáticas que velem seus olhos ou dos preconceitos que obscureçam o seu vocabulário, a agir na direção da história. Alguém que não era dos nossos, Montesquieu, escreveu que a dita ou a desdita consistem em uma certa disposição de nossos órgãos. Também a ação revolucionária pode nascer desse mandato dos órgãos que nos governam, mesmo antes que a ciência eduque a mente dos pobres (Vargas Llosa Apud Ayala, Op. cit., 2004, p. 87).

A militância intelectual, ou melhor, a participação política frontal no campo da ciência baseia-se, primordialmente, numa concepção como esta:

a pesquisa militante não se realiza para atender finalidades acadêmicas ou para cumprir exigências curriculares. A pesquisa militante se realiza como fruto de uma necessidade histórica na qual há uma identificação do pesquisador e dos pesquisados em termos de uma vontade coletiva. Esta vontade, portadora de interesses comuns, está voltada para um projeto de transformação social no qual se busca a construção de uma sociedade sem diferenciações entre dominantes e dominados (…) Na pesquisa militante a busca da explicação científica da realidade não se subordina a critérios elitistas ou academicistas que só fazem reforçar o poder dos dominantes. A explicação científica surge como uma necessidade de se avançar na organização e conscientização dos dominados, procurando desvendar o véu que encobre as representações populares, articulando-as (Gohn, 1984, p. 11).

Na citação supra, são dois os critérios em destaque: (1) Em razão de uma necessidade histórica, pesquisadores e pesquisados partilham de uma vontade coletiva que sinaliza a supressão da sociedade de classes e; (2) a pesquisa, quando utilizada fora dos moldes elitistas ou academicistas, torna-se uma valiosa ferramenta para a organização e conscientização (desmistificação) dos dominados. Em primeiro lugar, o que seria essa necessidade histórica? Uma carência da e na história ou uma carência de proporções históricas? A esquerda pensante sempre pecou pela ambiguidade e/ou pela omissão; com recorrência inefável postula um suposto nebuloso e/ou uma mensagem sem proposta. Nesta circunstância só nos resta suspeitar que a autora em pauta se refira a “uma carência da e na história”, vale dizer, ela alega que algo substancial está faltando a nossa história contemporânea. Se esse for o caso, a resposta é mais que óbvia, claro: falta socialismo marxista que já era para ter acontecido. Por que carga-d’água o capitalismo continua a ditar as regras do jogo neste mundo globalizado? Segundo as previsões de Marx, a esta altura dos acontecimentos, todos deveríamos ser partícipes de uma sociedade igualitária, sem distinção de classes, sem opressores nem oprimidos… Mas, infelizmente esse modo liberal de ser insiste em perdurar e, com teimosia irritante, segue sobrevivendo de uma maneira extemporânea. Esse capitalismo tardio (demorado, fora de época, que ainda está aí…), mais cedo ou mais tarde sucumbirá diante da inevitabilidade do advento do comunismo. É isso aí dileto leitor? Alguns pensam diferente:

a expressão “capitalismo tardio”, por exemplo, é usada a torto e a direito para dar a entender… que o capitalismo tem um prazo fixo de existência histórica, já vencido, sendo toda a existência posterior desse sistema um acidente protelatório que, no fundo, não altera em nada o cronograma infalível da profecia socialista. Em quase metade do planeta, o que acabou foi o socialismo, enquanto o capitalismo continua se expandindo, indiferente às profecias (Carvalho, 2013).

Em segundo lugar, a professora Gohn não esconde a sua decepção com a pesquisa acadêmica por ser um instrumento legitimador do poder dos dominantes, ela dá a entender que a investigação militante só é possível fora do raio de ação do elitismo intelectual. Isto, com o devido respeito, é falso! Explico-me: os cursos de pós-graduação em educação são exemplos emblemáticos de um academicismo exacerbado em prol do ativismo socializante. É só ir à bibliotecas das universidades públicas para ver o catatau de teses e dissertações contra-hegemônicas e redentoras, verdadeiras denúncias das mazelas provocadas pela voracidade insaciável do capitalismo selvagem. No final das contas, qual foi a repercussão concreta desses trabalhos? Nenhuma! E muito provável que a maioria dos seus autores estivesse, simplesmente, à procura de um “credenciamento” ou de uma “distinção acadêmica” que o habilitasse para uma particular realização pessoal e profissional imediata, mais nada. Porque

pesquisa sobre a pobreza é principalmente um bom negócio para o pesquisador, que melhora seu curriculum, pode ganhar mais, publica artigos e livros, arranja bom prestígio, passa até a ser considerado cientista crítico, mas não diminuiu a pobreza. Com ele o pobre assume nova função, para além da clássica, ou seja, de ser matéria de exploração; o pobre passa a ser também objeto de pesquisa; mas não vai além disto (DEMO, 1980, p. 25).

Em última análise, não considero prudente teorizar sem os necessários insumos que emanam dos fatos, o discurso sem evidência não vai além de mera abstração oca; digo isto porque a noção da ilustre Dra. Gohn, aqui em estudo, parece desconhecer a importância da academia nos países socialistas que ela tanto admira. Não era a fenecida Academia de Ciências da URSS a que reunia a intelligentsia soviética para pensar sobre o que era melhor para todos e, ao mesmo tempo, para conferir credibilidade às pesquisas realizadas nesse império? E hoje em dia, não acontece a mesma coisa na Academia de Ciências de Cuba? …

 

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