Vale a pena? – Uma crônica de Máximo Trevisan

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foto reprodução internet
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Máximo José Trevisan*

Vale a pena sermos mergulhadores no mar do coração para descobrir a nossa identidade, às vezes ignorada, às vezes perdida?

Vale a pena nos tornarmos operários na construção de vidas, conscientes de que muitos não nos reconhecerão como parte da mão-de-obra anônima comprometida com a edificação da morada que agora habitam?

Vale a pena semearmos e semearmos, sem a certeza da colheita, mesmo pequena, no terreno às vezes fértil, às vezes árido e pedregoso dos corações humanos?

Vale a pena somarmos coisas e mais coisas, dia após dia, entulhando inteligência e coração, esquecendo-nos de reservar lugar às aspirações mais íntimas, aos sentimentos mais ternos, ao que, de tão pequeno e aparentemente simples, condiciona a conquista da felicidade?

Vale a pena darmos hora a tudo e a todos, esquecendo-nos de que a preferência deveria recair na busca do nosso sonho, da utopia, da verdade?

Vale a pena andarmos descalços, sentindo o orvalho da manhã, ou caminharmos na praia, olhos cheios de horizonte e ouvidos carregados do ruído do mar?

Vale a pena descobrirmos a tempo, quando ainda a saúde sobra, que sermos amigos/termos um amigo é mais do que um tesouro?

Vale a pena investirmos no que a traça não corrói, a ferrugem não consome, o tempo não faz desaparecer?

Vale a pena nos rodearmos de pessoas de mal consigo mesmas, pavões em autoestima, nanicas na dimensão humana, que têm como horizonte o próprio umbigo?

Vale a pena nos arrependermos depois, quando o tempo já falta e sobram projetos, ao invés de nos alegrarmos antes, comprometendo o que de melhor temos na concretização do que melhor desejamos?

Vale a pena sermos parceiros na luta do bem comum, valorizando a consciência do coletivo, certos de que a renúncia ao egocentrismo é condição do maior e do melhor?

Tudo vale a pena quando o talento senta à nossa mesa e o coração é companheiro das grandes decisões. Tudo vale a pena quando o principal na vida é o nosso principal,  o imprescindível é o nosso imprescindível, matéria-prima que usamos, com lucidez e ternura, na construção da essência do nosso ser.* maximotrevisan@uol.com.br – Advogado, membro da Academia Santa-Mariense de Letras

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