Dica de literatura com Aguinaldo Severiano: Coltrane e os traços de Parisi

0

 

John Coltrane. Foto reprodução internet
John Coltrane. Foto reprodução internet

Professor Aguinaldo Severiano

Capa do livro: Coltrane
Capa do livro de Paolo Parisi: Coltrane

 “Coltrane” é uma biografia ficcional das boas, um daqueles livros que você aproveita completamente. A história é muito bem contada e o traço de Paolo Parisi especial.

Parisi é jovem, tem pouco menos de quarenta anos, é um ilustrador e designer italiano que se dedica ao mundo da música. De alguma forma ele tenta capturar a complexidade do som de John Coltrane e fixá-lo em seus desenhos. Ele identifica um livro de Lewis Power (John Coltrane: His Life and Music, de 2000) como a sua referência básica, mas usa também transcrições de entrevistas com Coltrane e relatos sobre algumas de suas sessões de gravação.

A narrativa não é linear. Parisi experimenta um bocado a forma, alterna esquetes dramáticos e líricos, avança e retrocede no tempo, apresentando alguns dos momentos chave da vida de Coltrane. O livro segue a estrutura de um dos álbuns mais icônicos de Coltrane (o fenomenal “A Love Supreme”). Claro que segui a sugestão dele é tentei conectar a leitura de sua graphic novel com a audição do disco.

Capa do LP mitológico do jazz: A Love Supreme
Capa do LP mitológico do jazz: A Love Supreme, de john Coltrane

O livro inclui bibliografia, discografia e videografia de Coltrane. Ouro fino e puro. É possível ler as primeiras páginas do livro no ISSUU. Vale. “Coltrane”, Paolo Parisi, tradução de Rogério de Campos, São Paulo: editora Veneta, 1a. edição (2015).

John William Coltrane – músico e compositor considerado quase que unanimemente como o maior sax tenor do jazz e um dos maiores compositores deste gênero de todos os tempos. Sua musicalidade é uma referencia para várias gerações. Ele recebeu uma citação especial do Premio Pulitzer de Música, em 2007, por sua “perita improvisação, musicalidade suprema e um dos ícones centrais na história do jazz”.

 

*Artigo publicado originalmente no Jornal da APUSM de maio de 2016

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA