Literatura – Aguinaldo Severino escreve sobre “Free women, free men”, de Camille Paglia

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Foto: TomCabral - Na foto Camille Paglia, em 2010, na cidade de Olinda. No fundo seu tema principal não é exatamente o feminismo, a luta por igualdade de gênero, mas sim a cultura, a evolução da cultura como núcleo central de coesão entre seres humanos de diferentes lugares do planeta, origens étnicas e gêneros.
No fundo seu tema principal não é exatamente o feminismo, a luta por igualdade de gênero, mas sim a cultura, a evolução da cultura como núcleo central de coesão entre seres humanos de diferentes lugares do planeta, origens étnicas e gêneros. Foto Tom Cabral – Camille Paglia em Olinda – 2010 reprodução

 

Professor Aguinaldo Severino

Comprei esse livro ainda em abril, mas os serviços alfandegários brasileiros, ineficientes e canalhas como sabem ser, me fizeram recebê-lo apenas em julho.

literatura-capaEm “Free Women, Free Men” encontramos 36 ensaios robustos, onde Camille Paglia apresenta sua visão bastante particular e provocadora sobre feminismo, sexo e gênero. Mais precisamente, encontramos no livro os três primeiros capítulos de seu livro mais contundente, “Personas Sexuais”, de 1990; três transcrições de palestras ou conferências acadêmicas; três resenhas literárias; cinco transcrições de entrevistas; vinte e dois ensaios independentes, publicados originalmente em revistas e jornais americanos e ingleses.

O conjunto também pode ser dividido cronologicamente, em dois grandes blocos: dezenove são textos relativamente antigos, dos anos 1990, associados a repercussão de “Personas Sexuais”, e quatorze mais recentes, dos anos 2010.

O leitor não precisa ler os ensaios do livro sequencialmente, na ordem em que foram editados. Há uma natural repetição de temas e informações, mas isso não chega a aborrecer o leitor. É inegável que cada um deles se defende sozinho e oferece um festival de associações (“Personas Sexuais” é imbatível, qualquer pessoa honesta intelectualmente que trabalhe com esses assuntos não pode furtar-se de lê-lo).

Alguns ensaios são panfletos marcadamente políticos, mais agressivos, incisivos, categóricos; em outros o tom é mais professoral, acadêmico, frio, mas sem condescendência. Há vários ensaios em que Camille defende seus argumentos sobre política sexual, mídia e o papel das universidades como foro de discussão; noutros encontramos abordagens acadêmicas sobre a história do feminismo, estética, cultura pop, a história das lutas pelas liberdades civis nos Estados Unidos.

literatura-autoraNo fundo seu tema principal não é exatamente o feminismo, a luta por igualdade de gênero, mas sim a cultura, a evolução da cultura como núcleo central de coesão entre seres humanos de diferentes lugares do planeta, origens étnicas e gêneros.

É interessante como ela antecipa, nos artigos dos anos 1990, a ascensão de uma geração de acadêmicos dedicados aos temas de feminismo e gênero que não alcançaram uma formação adequada, fatalmente contaminados por retóricas foucaultianas, lacanianas, desconstrutivistas e marxistas.

“Free Women, Free Men: Sex, Gender, Feminism”, Camille Paglia, New York: Pantheon Books / Penguin Random House, 1a. edição (2017)

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