Fotografia: o primeiro asfalto de Santa Maria, 1936 – por Luiz Gonzaga Binato de Almeida

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Jornal Apusm, “Fotografia”, jan./2018

Fotografia: analógica, Santa Maria, 1936, fotógrafo Venancio Schleiniger, P&B, 23,1cm x 17,5cm, sinete autoral canto inferior esquerdo frente, acervo Casa de Memória Edmundo Cardoso.
Fotografia: analógica, Santa Maria, 1936, fotógrafo Venancio Schleiniger, P&B, 23,1cm x 17,5cm, sinete autoral canto inferior esquerdo frente, acervo Casa de Memória Edmundo Cardoso.

 

Luiz Gonzaga Binato de Almeida

Arquiteto, ex-professor universitário – luizbinato@gmail.com

 

Fotografia: analógica, Santa Maria, 1936, fotógrafo Venancio Schleiniger, P&B, 23,1cm x 17,5cm, sinete autoral canto inferior esquerdo frente, acervo Casa de Memória Edmundo Cardoso.

Nesta cidade, a primeira pavimentação asfáltica foi aplicada em 1936, na quadra da rua Dr. Bozano, correspondente ao atual calçadão. Privilegiado lugar, pois, muito antes, em julho de 1895, o intendente Valle Machado iniciava ali o calçamento, com pedras irregulares, de algumas vias da urbe.

O fotógrafo Venancio Schleiniger captou, nessa cena matutina, o ambiente do pioneiro asfaltamento. De cenário, serviu o prédio, ainda original, do antigo Banco Nacional do Commercio, construção inaugurada no dia 1º/7/1918. Desde junho de 1986, nela funciona uma agência da Caixa Econômica Federal. No primeiro plano, veem-se autoridades, operários e equipamentos da obra. À esquerda, aparece o posto de trabalho de um “inspetor de veículo”. Na época, Protásio Antunes de Oliveira, diretor do tráfego da prefeitura, distribuía tais abrigos em pontos estratégicos, para disciplinar a circulação de veículos. A primeira sinaleira daqui seria instalada, anos depois, no encontro da rua Venâncio Aires com a av. Rio Branco. À direita, aparece a placa do Café Paris, cujo acesso era independente ao do referido Banco. O Paris deu lugar ao Café Liberdade.

A referida obra asfáltica foi uma realização do prefeito Amaury Appel Lenz. O asfalto era aplicado quente, sobre uma base com várias camadas de brita, tudo recoberto com pedrisco. O responsável técnico foi o renomado eng. Baptista Pereira, prof. da Escola de Engenharia de Porto Alegre, que, pessoalmente, acompanhava os serviços. De 23/2/1938 a 10/9/1943, ele foi o primeiro Diretor Geral do recém-criado DAER, órgão incumbido de gerir o Sistema Rodoviário Estadual. Pelas iniciativas do prof. José Baptista Pereira em prol da astronomia, o Planetário da UFRGS tem o seu nome, bem como uma rua no bairro Rubem Berta, de Porto Alegre.

Santa-mariense nato em 6/3/1895, Amaury Lenz daqui foi prefeito, por duas vezes contínuas. A primeira, por nomeação do governador do  RS, gen. Flores da Cunha, para completar o mandato de João Antônio Edler, que renunciara em 20/9/1935. Após dois meses, no dia 17/11/1935, Lenz vence a eleição para prefeito. Em dezembro de 1937, um mês depois de proclamado o ditatorial Estado Novo (10/11/1937), Amaury Lenz é sumariamente deposto pelo interventor federal no estado, gen. Daltro Filho, que nomeia o dr. Antonio Xavier da Rocha, interventor em Santa Maria. Lenz aí encerra a sua breve carreira política. Médico, professor, escritor, íntegro cidadão, partícipe em atividades sociais e filantrópicas, ele expirou, nonagenário. Na sua terra. Em 31 de agosto de 1985.

Referência principal: LOPES SOBRINHO, Hermito Lopes. Personagens de nossa história. Santa Maria: Boca do Monte, 1995. v.2, p. 87-94.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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