“A Parábola dos Macacos”, uma crônica de Máximo José Trevisan

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Máximo José Trevisan

 

Quem já não viveu a experiência de propor algo novo, e alguém por perto observar: ´Não quero atirar um balde de água fria, mas?…´ Se perguntamos  o porquê do balde de água fria, logo vem a explicação: as coisas sempre foram assim! Não adianta querer mudar!

Admiramos aqueles para quem um balde de água fria é muito pouco para botar tudo a perder, para criar fácil desânimo ou para quebrar a iniciativa e mandar tudo ao beleléu!

Uma parábola, aqui resumida, lembra o sempre foi assim e, portanto, não é agora que vai mudar!

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula com uma escada ao centro e um cacho de bananas no topo. Quando um macaco tentava subir a escada para pegar as bananas, os outros recebiam um jato de água fria. Então, se um dos macacos inventava de procurar a escada, os outros caíam em cima dele, batendo feio. Resultado: nenhum macaco do grupo subiu mais na escada.

Os cientistas trocaram um dos cinco macacos. O novo integrante do grupo, não sabendo da situação vigente, partiu para pegar as bananas, subindo a escada. Não deu outra: os outros macacos “mais velhos” partiram pra cima dele, batendo-lhe firme. Os cientistas continuaram a experiência: trocaram outro macaco por um novo que desconhecia o grupo.  Esse também procurou alcançar as bananas, tentando subir a escada, mas levou pau! Um terceiro macaco foi substituído, um quarto, um quinto. A parábola termina com uma conclusão: mesmo que nenhum dos macacos restantes tivesse recebido o jato de água fria, continuava comportando-se como os primeiros. Se fosse possível perguntar a algum deles por que batia em quem tentava subir a escada, certamente responderia: “Não sei, as coisas sempre foram assim!”

Claro que a parábola não tem relação com os humanos… Afinal, sempre nos consideramos diferentes, agimos racional e lucidamente, costumamos avaliar a realidade com isenção e prudência,  não batemos em quem toma iniciativa de subir a escada em busca do seu sonho…

Um amigo, ao ouvir a parábola dos macacos, relacionou-a com Santa Maria. Quem já tomou a iniciativa de fazer alguma coisa, de ir atrás do próprio sonho ou do sonho da comunidade onde nasceu e vive, já percebeu que subir escada apresenta risco, gera inveja, ciúme, pode contrariar interesses. Propostas, então, são bombardeadas, às vezes até  antes mesmo de serem conhecidas, estudadas e avaliadas. E isso não acontece só com adultos ou com idosos. Jovens que não receberam “nenhum jato de água”, isto é, nunca tiveram a experiência da dor, ainda assim batem feio nos outros porque as coisas sempre foram assim, se é de um partido não vai dar colher de chá ao outro, se é de uma ala, que se dane a outra, se é….

Em todo caso, mesmo que alguns não percebam qualquer relação com a realidade atual no Brasil, no Rio Grande do Sul ou em Santa Maria, ainda assim a parábola dos macacos é instigante, ao mostrar que “subir escada” atrás de sonhos não é missão fácil, não só na vida pessoal como também na vida em comunidade.

 

 

 

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